Abolição, exclusão e afrodescentes no Brasil atual
Em uma assinatura, fomos de um
passado vergonhoso de dor e humilhação de centenas de milhares de negros para
uma pré-democracia com igualdade de direitos e oportunidades, no dia 13 de maio
de 1888. Essa é a história conhecida sobre a abolição da escravatura no
Brasil, a última colônia nas Américas a abrir mão do trabalho forçado, mas
pouco se fala sobre as verdadeiras intenções do ato de Princesa Isabel - que
seguiu um movimento de pressão externa e interna contra a Coroa portuguesa,
sendo um fato mais político que humanitário - e das verdadeiras mudanças,
refletidas até os dias de hoje.
No século XIX já havia movimentos
que defendiam o fim da escravidão. Diversos pensadores dessa época já
consideravam a escravidão um abuso e um grande problema para qualquer nação que
tivesse a intenção de se desenvolver. A partir da década de 1850, percebemos
que o movimento abolicionista no Brasil começou a ter maior visibilidade e isso
se deve a alguns acontecimentos importantes que marcaram essa mesma época.
Em 1845, os ingleses impuseram
uma lei realizando a prisão de toda a embarcação que estivesse no Oceano
Atlântico transportando escravos africanos. Isso fez com que o número de
escravos vindos para o Brasil diminuísse e o preço deles se elevasse justamente
num tempo em que as lavouras de café aumentavam no país. Pouco tempo depois, no
ano de 1850, o governo brasileiro aprovou a Lei Eusébio de Queirós. Essa lei
proibia definitivamente a importação de escravos para o país. Desse modo, o
preço do escravo ficou ainda mais caro para os grandes proprietários de terra.
Mais de um século após a
assinatura da Lei Áurea, muita coisa mudou, a população negra soma hoje 50,1%
dos cidadãos brasileiros, mas ainda existe uma diferença entre negros e brancos
no país e a democracia racial continua sendo um mito.
De acordo com especialistas, essa diferença entre brancos e negros no Brasil tem reflexos basicamente econômicos - na renda e no emprego - mas podem ser notadas também no acesso a serviços básicos, como saúde, Educação Superior, saneamento básico e previdência. O acesso à Educação é outro bom parâmetro para entender a questão do negro no Brasil. "Quando analisamos os dados de quase 100 anos após a abolição, tínhamos 40% da população negra de analfabetos. Hoje, 20 anos depois desse estudo, não conseguimos superar o quadro.
De acordo com especialistas, essa diferença entre brancos e negros no Brasil tem reflexos basicamente econômicos - na renda e no emprego - mas podem ser notadas também no acesso a serviços básicos, como saúde, Educação Superior, saneamento básico e previdência. O acesso à Educação é outro bom parâmetro para entender a questão do negro no Brasil. "Quando analisamos os dados de quase 100 anos após a abolição, tínhamos 40% da população negra de analfabetos. Hoje, 20 anos depois desse estudo, não conseguimos superar o quadro.
Outro aspecto que evidencia as
desigualdades no país pode ser visto ao analisar a distribuição de renda.
Segundo dados do Censo de 2010, o Brasil tem hoje 16,3 milhões de pessoas com
renda inferior a R$70 mensais. Destes, cerca de 70% são negros. Mesmo assim,
houve uma evolução de uma classe média negra nos últimos oito anos, que hoje
engloba 53,5% dos negros e 47,3% dos mestiços, centrados nas classes A, B e C.
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